O efeito Bolsonaro antes do 2º turno: ódio aos nordestinos e às minorias

O Nordeste virou a Geni dos bolsonaristas – se é que esse “gênero” político existe. Pessoalmente, vejo uma direita rica ou nova rica elitista, preconceituosa e histérica saindo do armário e perdendo qualquer escrúpulo nas redes sociais e uma turma que trafega entre as correntes ideológicas como bêbado em alto mar, mais preocupada com a última Rodada do Brasileirão e um jeito de ficar rico sem fazer força. Esses últimos são, em sua maioria, pobres, ferrados, e, como descreveu bem Zé de Abreu, ajudou a inventar uma direita tupiniquim: criou o “neonazista negro, a fêmea machista, o cristão odioso e o pobre burguês”. Poucas horas após o primeiro turno das eleições nesse domingo, 07, uma odiosa onda anti-nordestinos tomou os espaços públicos – redes sociais e papos no corredor do escritório. Ouvi de alguém o seguinte: O Baiano votou no Bolsonaro – mentira, esse só venceu em seis municípios baianos – porque ele foi a Salvador e propôs menos trabalho. Até algumas horas atrás, a palavra Nordeste aparecia em segundo lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter, perdendo apenas para #FicaTemer – imagine você.

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O quadro “Odio e Amore”, de Antonella Scaglione. O Brasil que se apaixonou por Bolsonaro amanheceu namorando o ódio, o preconceito e transformando em oponentes os nordestinos, que seguraram o “mito” fascista por mais três semanas em sua jaula.

“O nordeste mais uma vez f* o Brasil inteiro… Agora vcs entendem pq odeiam nordestinos nos outros estados?”, escreveu um canalha no seu twitter. “Nordestino vota no PT e depois quê vim (sic) pro sul vende rede e capa de volante”, tuitou outro verme. “Nordestino é um povo muito vagabundo msm não gosta de trabalhar quer viver de bolsa família e acaba fudendo todo mundo”, replicou outro canalha. Comentários toscos de gente com pouca instrução. Esse é o perigo. Por que a direita está tocando harpa do Olimpo. Profissionais de grandes agências de publicidade, remunerados inversamente proporcionais ao tamanho de seus cérebros, se posicionaram em suas redes sociais, engrossando discursos preconceituosos e grosseiros contra nordestinos. A maioria dos comentários vinha da meca São Paulo. José Boralli, diretor geral de atendimento da agência Africa – opa, África, Nizan Guanaes! – postou em seu Instagram a seguinte mensagem: “Nordeste vota em peso no PT. Depois vem pro Sul e Sudeste procurar emprego”.

A mensagem teve repercussão imediata na internet, onde o texto foi compartilhado e criticado por colegas da Africa e de outras agências. O executivo chegou a apagar a mensagem e publicar um pedido de desculpas. No começo da tarde de segunda, 08, um comunicado interno assinado pelos copresidentes Marcio Santoro e Sergio Gordilho recriminou a postura do executivo, destacando a origem diversa da agência, bem como a de suas lideranças. “A eleição passa, o país anda, as nossas atitudes ficam. No meio desse turbilhão, um funcionário da Africa postou um comentário infeliz e preconceituoso. (…) Nascemos da diversidade. Acreditamos nela e a defendemos, acima de tudo. Não respeita-la seria arranhar nossa biografia e nossos RGs, na maioria nordestinos. O comentário desse funcionário não coincide com nossa crença, não está à altura da nossa história. Por isso, a Africa condena e afirma que tomará as medidas cabíveis em relação a esse caso que, em hipótese alguma, representa a nossa opinião e fere o nosso Código de Conduta”. A Africa, como se sabe, foi criada pelos baianos Nizan Guanaes e Guga Valente, além de ter sua criação liderada por Gordilho, também baiano.

Enquanto isso, paira soberano, o ex-juiz federal Wilson Witzel, candidato do PSC ao governo do Rio de Janeiro, “fenômeno”, segundo analistas sem critérios de avaliação, na concorrência para o Governo do Rio de Janeiro. Seu apoio declarado a Jair Bolsonaro na corrida presidencial o fez superar nas preferências o ex-prefeito Eduardo Paes e, como “uma das surpresas da campanha”, ir para o segundo turno. Witzel deixou em março a magistratura e um salário bruto de R$ 29 mil. Com o slogan “Mudando o Rio com juízo”, e vendendo-se como alguém que “deixou de ser excelência para se juntar ao povo” – o marqueteiro tinha que ganhar algum Caboré de Fake News-, o candidato do PSC defendeu uma força-tarefa contra o narcotráfico e as milícias, algo que, obviamente, não fará. Witzel é o cidadão que aparece em vídeos participando de uma manifestação na cidade de Petrópolis, ao lado de Rodrigo Amorim e Daniel Silveira – ambos do PSL, em campanha ao Legislativo estadual e federal, quando exibiram uma placa em homenagem à vereadora do Psol, Marielle Franco, assinada, sendo destruída. “Se eu chegar na Alerj, vou decapitar esses vagabundos de PCdoB, PT e PSOL”, diz Amorim. Palavras literais. Pai de quatro filhos, três do atual casamento e um do primeiro, tem um filho trans, que deveria ser orgulho do pai, mas não é. A ordem é ele não aparecer em público até o pai ser eleito.

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