A virada começou. Haddad será presidente

Não, não sou vidente. E obviamente nesse título tem voto, tem torcida e tem uma mensagem para você: não desmobilize. Não vá na onda dos institutos de pesquisa, relativize o que você lê na mídia tradicional, ignore as fake news, tente reverter um voto que seja – começando dentro de casa – e não deixe de votar no domingo, 28. Em Haddad e Manu, obviamente. Mas também não é só torcida. A visão emocionante da multidão nos Arcos da Lapa, no Rio, na terça, 23, mais do que um ato de enorme simbolismo e exemplo para o país, chamado não por acaso de “Ato da Virada” em apoio a Fernando Haddad, encharca os democratas – não apenas esquerdistas, a luta se tornou maior, você sabe disso – de esperança e respaldam um sentimento de há uma mudança no ar. Haddad e Manu tornaram-se maiores do que Lula e o PT – vejam que forma tortuosa de minimizar o antipetismo insuflado pela mídia, pelos eleitores que tiraram o ódio do armário e pelo exército de fake robôs tolerados pela Justiça Eleitoral, agredida nesta reta final até o limite do intolerável. Tornaram-se a única alternativa ao ao ódio, ao preconceito e ao retrocesso representados, com todas as medalhas coloridas e sem glória, pelo casal 20 do fascismo Bolsonaro-Mourão. Os apoios enrustidos de Ciro Gomes e Marina Silva – “apoio crítico” numa hora dessas é quase omissão – ajudaram, assim como o apoio de peito aberto de Guilherme Boulos. Mas, propaganda eleitoral à parte, foram Bolsonaro, filhos e apoiadores que têm feito o trabalho de desconstrução de si mesmos – ao contrário do papelão do PT com Marina Silva nas eleições passadas -, mostrando-se sem pudor com os antidemocratas que são. Sim, eles são assustadores. Sim, eles representam a volta às trevas.

Para não dizerem que não falei de números, usemos a matemática insuspeita de quem não quer a virada – mas não pode se desmoralizar. A vantagem de Bolsonaro sobre Haddad nas intenções de voto espontâneas caiu sete pontos porcentuais entre as duas pesquisas realizadas pelo Ibope no segundo turno. Embora mantenha a liderança em todas as abordagens, o Coiso teve uma queda mais acentuada nas menções em que os entrevistados dizem em quem pretendem votar sem serem estimulados com os nomes dos candidatos. Passou de 47% das intenções de voto espontâneas na pesquisa divulgada em 15 de outubro para 42% no levantamento divulgado na terça, 23. Caiu, inclusive, entre os evangélicos – apesar dos esforços dízimos de Edir Macedo, Universal e Record. O sincericídio torpe da trupe da caserna parece estar vencendo os púlpitos. Haddad, por sua vez, passou de 31% para 33% entre as duas pesquisas — a diferença entre os dois caiu de 16 para 9 pontos porcentuais. A movimentação dos dois candidatos também se repetiu nos votos válidos, que leva em conta a pesquisa estimulada e descarta os votos em branco, nulos e indecisos. Bolsonaro passou de 59% para 57% enquanto Haddad foi de 41% para 43%. No quesito rejeição – esse é um dado crucial porque ajuda a mergulhar o pântano dos indecisos, por mais filtros que se coloque – Bolsonaro subiu de 35% para 40%, salto de 5 pontos percentuais. Em contrapartida, a rejeição a Haddad diminuiu de 47% para 41%, baixando 6 pontos, números que favorecem o candidato da Coligação “O Povo Feliz de Novo”.

Tem mais. Enquanto Haddad segue massacrando Bolsonaro no Nordeste, o que tende a ser ampliado no mata-mata do segundo turno, a guerra do Sudeste-Sul também dá sinais sólidos de mudança. Na capital de São Paulo, o ex-prefeito Haddad já aparece com 51% dos votos válidos, ultrapassando os 49% dos votos de Bolsonaro – segundo o mesmo Ibope. Algo está se movendo e, no caso de São Paulo, já foi apelidado pela mídia de “Bolsodoria”. O voto casado em Bolsonaro para presidente e Doria para governador, micou. Segundo o Ibope, a dupla Fascistão e Milionário tem nesse momento pior desempenho entre os paulistanos do que entre os moradores do interior de São Paulo. Na capital paulista, Haddad chega a estar numericamente à frente de Bolsonaro, enquanto Márcio França, candidato do PSB e adversário de Doria na disputa estadual, lidera com 18 pontos de vantagem em relação ao tucano. Memória breve: Doria renunciou ao cargo de prefeito para disputar o governo do estado pouco mais de um ano depois de assumir, em 2017, mesmo tendo se comprometido a ficar na prefeitura até o fim do mandato. A onda de ódio espalhada pelo capitão-fujão de debates incomodou de tal forma que o ex-governador de São Paulo e ex-presidente do PSDB Alberto Goldman afirmou nesta quarta, 24, que irá votar em Haddad para presidente. Em um vídeo e texto publicados em sua página no Facebook, Goldman disse que “votará em Fernando Haddad contra a ameaça aos valores democráticos”. Dessitiu de votar nulo. Mais gente insuspeita tem feito essa reflexão.

Enquanto isso, naquele país que corremos o risco de ser amanhã – e onde até a mídia do país compara Trump a Bolsonaro – o envio de pacotes com explosivos direcionados a críticos do presidente norte-americano está consternando a sociedade norte-americana. A distribuição dos artefatos começou na segunda, 22, e teve como alvos membros ou apoiadores do Partido Democrata – oposição a Trump. Depois disso, foram “presenteados” George Soros, doador de campanha dos democratas, no estado de Nova York, o ex-presidente Bill Clinton r Hillary Clinton, adversária de Trump nas eleições de 2016, e o escritório do ex-presidente Barack Obama. “Violência política não têm lugar nos EUA”, diz agora Trump, porteira arrombada. Alguém aqui se lembra como Bolsonaro começou a aparecer na mídia?

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