República do Twitter, Nação Hater, detox publicitário e enterro do Quarto Poder

O Rei do Sucata, Fábio “Maria do Carmo” Carvalho, lacrou o Grupo Abril, negócio que só teria paralelo se as Organizações Globo fossem vendidas – e medida da crise na mídia nacional, não apenas a impressa, afinal todos têm seus espelhos on line. Roberto Civita, que, ao lado do pai, Victor Civita, construíram o grupo empresarial, deve estar revirando no túmulo da família, e amaldiçoando Victor Neto e Giancarlo, os dândis que subestimaram o império da família. Sinal dos tempos, e lições da vida, a noviça Crusoé, do ex-colunista Mainardi e do ex-redator-chefe Sabino, ambos sócios do site de direita O Antagonista, é muito melhor que a Veja hoje – o que não é difícil, considerando o panfleto que a revista virou. E nem esse panfleto, com anos de seviço prestados ao antipetismo, interessa ao futuro governo. Veja, antes IstoÉ, Carta sempre no fio da navalha, Época que virou encarte no Globo – sem falar nos veículos diários -, mostra um ocaso perigoso de revistas e jornais que foram relevantes em vários momentos da história, inclusive durante a ditadura. O que casa perfeitamente com as intenções do futuro governo, que se elegeu com fake news e acha que pode administrar e conversar com a população pelas redes sociais, canal preferencial com a Nação Hater. Bolsonaro, ladeado pelo escudeiro e filho vereador Carlos, midas doméstico das redes sociais – que indicou o chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) – quer estar na primeira fila no enterro do Quarto Poder.

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Giancarlo Civita e Victor Civita Neto, sem a vocação do pai Roberto, passaram para a frente o Grupo Abril; o “investidor” Fábio Carvalho, o Rei da Sucata, que fez a compra; Carlos Bolsonaro (ao fundo) em reunião do futuro governo na Granja do Torto; Bolsonaro em reunião-oração com alguns de seus religiosos apoiadores.

Um dia depois da venda da Abril, o capitão reformado salivou de felicidade nas redes sociais. Por meio de sua conta no Twitter, confirmou que revisará contratos e reavaliará o quadro de pessoal da Secom, vinculada à Presidência da República. Ele citou o orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para a área, dizendo que é praticamente metade do proposto, mas que não vai pleitear qualquer aumento. “O Congresso aprovou orçamento de R$ 150 milhões para a Secretaria de Comunicação Social em 2019, um corte de 45,8% do valor proposto pelo atual governo (R$ 277 milhões)”, disse. Bate como uma palmatória na mão de um aluno indisciplinado do Escola Sem Partido. Em dificuldades, com menos verbas, o jornalismo – incluindo o investigativo, já meio em desuso – terá que tentar sobreviver cada vez mais fora do papel, em blogs, sites independentes e, claro, nas redes sociais, em canais no Youtube. O jornalismo eletrônico vive seu próprio impasse, mas sua proximidade com tecnologia pode dar alguma sobrevida – para o bom e para o mau jornalismo. Exceto, claro, a A EBC (Empresa Brasil de Comunicação), marcada para morrer. Empresa pública federal responsável pela Agência Brasil, a TV Brasil e a Rádio Nacional, entre outros veículos, já abriu a segunda rodada de adesões ao Plano de Demissão Voluntária (PDV).

Para tangenciar o futuro da Abril, sobre o qual tanto se especula agora, aconselhamos uma (re)visita a um filme que ganhou o título nacional açucarado de “Amor sem Escalas”. Está lá George Clooney, encarnando Ryan Bingham, um coveiro de empresas, ou, se preferir, um executivo de uma empresa especialista em demissões, ou seja, ele tem por função desligar colaboradores. Quando o sistema de demissão por videoconferência é inventado, é Ryan que corre o risco de ficar sem emprego. A vida dá mesmo voltas. A Abril é a Casa & Vídeo da vez. Como aconteceu com IstoÉ, depois da última leva de demissões em massa, sem que os profissionais tenham recebido seus direitos, Veja tem na lista de credores pelo menos 804 jornalistas e 200 colaboradores freelancers que aguardam uma indenização que nunca chega. No processo de recuperação judicial, salta no noticiário a dívida de 1,6 bilhão de reais e, mesmo em se tratando da mídia noticiando a mídia, o aspecto conjuntural e humano é ignorado. Vamos conferir mais esse filme até o final, vendo como termina a “comunicação direta” do governo Bolsonaro com seu público, como prosperam os conselhos de Olavo de Carvalho, como se saem os supermilicos, ou melhor, superministros Moro e Guedes, e como reage a sociedade.

 

 

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