Jair, o Messias, que não sabe nem jogar War, arrisca o país em complexo xadrez geopolítico alinhando-se a Israel

“Israel é a terra prometida e o Brasil é a terra da promessa de futuro”.
Frase feita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, depois de encontrar-se com Messias, o Jair

O “Posto Ipiranga” de geopolítica de Jair Bolsonaro é Olavo de Carvalho, que colocou seu discípulo, o chanceler maluquinho Ernesto “No Che” Araújo para comandar a pasta de Relações Exteriores – que já teve próceres como Celso Amorim, Antonio Patriota, Celso Lafer, Francisco Rezek e, mesmo na ditadura, pessoas como Gibson Barbosa, Saraiva Guerreiro e Juracy Magalhães. Quis o destino que nesta mesma sexta-feira que nos tirou o escritor israelense Amos Oz, aclamado por levantar a voz contra os fanatismos religiosos, uma luta que ficou registrada em sua autobiografia romanceada “De amor e trevas”, best-seller mundial, o país receba a visita do beligerante primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Ele e o Messias, no caso Jair Bolsonaro, se encontraram simbolicamente no Forte de Copacabana, construído para impedir a aproximação de belonaves que pudessem ameaçar a então capital do país. Não por acaso, igualmente, é primeira visita oficial de um primeiro-ministro israelense ao Brasil, que ficará, incrivelmente, cinco dias no país, incluindo para a posse. O alinhamento inconsequente do governo Bolsonaro, mesmo antes da posse, ao republicano Trump e ao seu mais estratégico aliado, Israel – junto com o Reino Unido, obviamente -, mostram que Bolsonaro é uma marionete de interesses americanos brincando de xadrez geopolítico sem ter se iniciado sequer nos joguinhos de tabuleiro. Não sabe jogar War e já quer colocar o país em risco.

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O Messias Bolsonaro chacoalha as mãos com Benjamin Netanyahu; o chanceler maluquinho Ernesto Araújo, baba ovo de Trump e que apoia a irresponsável – e irreversível – transferência da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém – em encontro anterior com o embaixador de Israel, Yossi Shelley; contêineres no Porto de Santos, maior porto brasileiro, embarcando importações árabes; e o escritor israelense Amos Oz, que morreu nessa sexta em que o novo governo deixa cravem as unhas na sua geopolítica.

Não apenas riscos comerciais, como têm percebido especialistas, minando as boas relações com países árabes – ao falar em trocar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém -, estes sim excelentes parceiros comerciais. Suas declarações já provocaram reações do mundo árabe. O governo do Egito cancelou visita que receberia do atual chanceler, Aloysio Nunes Ferreira, e de uma missão empresarial brasileira como sinal de insatisfação. O Egito importou 1,5 bilhão de dólares em produtos brasileiros entre janeiro e setembro, segundo dados públicos da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Todo o Oriente Médio, excluído Israel, comprou 9,6 bilhões de dólares do Brasil no período, enquanto Israel importou 256 milhões. No encontro com Netanyahu estava Paulo Gudes, o futuro “superministro” da Economia. O que terá dito sobre isso? A imprensa não revelará. Bolsonaro afirmou que planeja ir com uma comitiva a Israel em março. Lá, pretende negociar acordos de cooperação tecnológica e nas áreas de agricultura, segurança, militar, pesca, entre outras. Defina “entre outros”, Bolsonaro.

Mas, como disse, não apenas risco comercial, também risco político. Ou será que nosso futuro mandatário não sabe que está colocando o país na rota do terrorismo? Já terá ouvido falar em Hamas? Em Fatah? Ou será que a única Faixa de Gaza que conhece é o entroncamento das Linhas Amarela e Vermelha, no Rio de Janeiro?

A embaixada dos EUA em Jerusalém foi inaugurada em maio. A transferência da chancelaria representa o reconhecimento de Jerusalém – cidade considerada sagrada por várias religiões – como capital israelense. Israel considera Jerusalém a “capital eterna e indivisível” do país, mas os palestinos não aceitam e reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino. Bolsonaro, que não sabe o que é um Shabat e deve achar que judeu ortodoxo é uma espécie de comunista da Terra Santa, está se metendo em campo minado. É óbvio que, como não entende patavinas de economia, não entende de política externa. Fica refém de seus tutores – o que é péssimo para um chefe de Estado. É só lembrar do exemplo de Oz que, sem perder o orgulho pátrio, e sem deixar condenar os excessos dos dois lados do tabuleiro, defendia a criação do Estado palestino – uma tradição dos últimos governos brasileiros, independente de ideologia- e confrontava as políticas de Netanyahu, tendo recusado um cargo oficial no exterior em protesto pelo que considerou um “crescente extremismo” de seu governo. Foi considerado a consciência de uma nação, e era considerado inimigo pela ultra direita israelense. Pelo jeito, seria fuzilado pela direita brasileira.

Tem tempo, enquanto Bolsonaro comemora nas redes sociais ter trazido Netanyahu em sua posse, o Ministério das Relações Exteriores chinês informou que o vice-presidente do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, Ji Bingxuan, será o enviado especial do presidente Xi Jinping para a cerimônia de posse do presidente eleito do Brasil. A escolha foi vista nos meios diplomáticos brasileiros como uma decisão protocolar. Trata-se de um representante de nível elevado, porém sem status especial na área diplomática. Mesmo os Estados Unidos serão representados pelo secretário de Estado, Mike Pompeo. Que decepção, “mito”. Trump não vem para jantar.

3 comentários em “Jair, o Messias, que não sabe nem jogar War, arrisca o país em complexo xadrez geopolítico alinhando-se a Israel

  1. Estou ansioso para ver o que vai dar “isso aí”. Em política externa o governo começa pelo fim da fila.

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  2. Ele nos subjugou aos Illuminatti….fez black friday do país para eles…os EUA e Israel.

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