O primeiro exílio do governo Bolsonaro

“Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores. Fizemos muito pelo bem comum. E faremos muito mais quando chegar o novo tempo, não importa que façamos por outros meios! Obrigado a todas e todos vocês, de todo coração. Axé!”
Deputado federal eleito Jean Wyllys, em sua conta oficial no Twitter

Não costumo abrir meus votos, por mais óbvios que alguns sejam, mas a causa é nobre. Perdi em todos. Votei Haddad, deu Bolsonaro. Votei Paes, deu Witzel. Votei Chico e Lindbergh. Deu Flávio Bolsonaro – é, vai vendo… – e Arolde de Oliveira – meu Deus. Votei Rose Cipriano, deu Coronel Salema, Samuel Malafaia, André Corrêa, Delegado Carlos Augusto, Tia Ju, André Ceciliano, Carlos Minc, Vandro Familia, Pedro Brazão, Bebeto Tetra e Chiquinho da Mangueira, entre outros canalhas estaduais. Jean Wyllys, do PSOL, foi meu único voto na mosca. E me orgulho muito dele. Infelizmente, descobri hoje, não terei nenhum representante meu nesse país. O deputado federal, eleito para novo mandato com 24.295 votos, não assumirá o cargo devido às ameaças que tem recebido. A violência e a possibilidade real de ser morto no país de Bolsonaro e no estado de Witzel é real. Não o culpo, eu só lamento. Muitíssimo. Na Câmara, já paupérrima de valores, ficará um eco ainda maior. Jean é o primeiro exilado político do governo Bolsonaro.

Interpretando o episódio como de alta gravidade, o presidente da Câmara, Rodrigo Mais, soltou uma nota oficial.“Como presidente da Casa, e seu colega na Câmara, mesmo estando em posições divergentes, reconheço a importância de seu mandato. Nenhum parlamentar pode se sentir ameaçado, ninguém pode ameaçar um deputado federal e sentir-se impune.” Débeis mentais como Alexandre Frota e Joice Haselman fizeram o que se espera deles: fizeram comentários escrotos. Bolsonaro publicou em seu Twitter, pouco mais de meia hora após o anúncio, uma mensagem cifrada. “Grande dia”. Seu filho Carlos, que durante a campanha era responsável pelas contas do pai, lançou em seu Twitter quase ao mesmo tempo: “Vá com Deus e seja feliz!”. Wyllys será substituído na Câmara pelo vereador carioca David Miranda, marido do jornalista Glenn Greenwald, editor do Intercept. “Acredito em uma coincidência do destino”, disse em entrevista. “Se eles acham que vão acabar com um LGBT, outro de nós vai assumir.”

 

 

 

 

 

Esse país está tão ridículo, raso e caricatural que virou o BBB. E Jean agora está fora da Casa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close