O que o fetiche dos Bolsonaro por armas tem a ver com o massacre da escola em Suzano

De bate-pronto, nada. Não li em nenhum lugar uma relação, por assim dizer, indireta entre os Bolsonaro e os dois celerados que atiraram covardemente contra alunos e funcionários em escola estadual e mataram oito antes de cometer suicídio. Ainda há feridos. Os assassinos Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Henrique de Castro, de 25 anos, ex-alunos da escola, não fizeram nenhum discurso político, nem tinham fotos de Jair Bolsonaro na porta do armário. Mas a causa e efeito entre a chacina na escola estadual Raul Brasil e o país em que vivemos hoje, com um presidente, e filhos, que têm fetiche por armas, defendem abertamente o armamento da população, sem falar no decreto de Jair Bolsonaro que flexibilizou a posse de armas de fogo – a tara agora é facilitar a posse – , me permite no mínimo acreditar que esse hoje é um país mais inseguro para criar nossos filhos.

A despeito dos já alarmantes índices de criminalidade no país, e da relação tensa entre professores e alunos em muitas escolas públicas, não temos um histórico de Columbines, como a sociedade superarmada que os Bolsonaro idolatram produz em série. A exceção talvez esteja no massacre ocorrido há oito anos em Realengo, no subúrbio carioca, quando um adulto efetuou mais de 60 disparos e matou 12 crianças na escola municipal Tasso da Silveira. Os doentes mentais de Suzano, claro, tinham um revólver – o popular calibre 38.  Como se estivessem num videogame, juntaram ao kit chacina uma besta (um artefato com arco e flecha), um machado e objetos que parecem ser coquetéis molotov. Não, não vou cair na explicação fácil do general e vice Hamilton Mourão, para quem os jovens “estão muito viciados em videogames violentos”, dando a entender que jogos de realidade virtual poderiam ter estimulado os ataques. O jogo é consequência e não a causa, apontam especialistas. É a ponta do iceberg de um estado emocional prévio

A galeria de fotos abaixo, uma pequena compilação de imagens de Jair Bolsonaro e filhos em sua ode às armas, pode dar a Mourão uma pista de algo muito pior do que “Assassin’s Creed”.

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O massacre de Suzano te surpreende? Jura?

Os muitos flagrantes de Bolsonaro, cuja marca registrada – na campanha e depois dela -, é uma arma de fogo feita com os dedos, inclusive ensinando o gesto a crianças, calam fundo. Pouca gente vai se lembrar, mas em novembro de 2017, questionado sobre como ampliar o acesso às armas pelas pessoas sem correr o risco de mais episódios como o de um adolescente que abriu fogo em uma escola de Goiânia e matou dois colegas e feriu outros quatro, Bolsonaro disse que “quem mata é a pessoa, não a arma”. Será, Bolsonaro? Vai continuar apontando seus dedos para as câmeras até descobrir?Captura de tela inteira 13032019 163850.bmpBolsonaro só comentou o assunto em suas redes sociais mais de cinco horas depois do ocorrido. Em post no Twitter às 15h59, prestou condolências.

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