Bolsonaro gruda-se aos sapatos de Trump, ouve o guru Olavo dizer-lhe em quem confiar – nunca em Mourão -, e inventam, com Steve Bannon, a Desquartelada. Ou Olavada.

“O presidente está de mãos amarradas. […] Não precisa mudar nada para ficar mal, é só continuar isso mais seis meses e acabou”.
O guru-encosto Olavo de Carvalho, no evento criado para homenagear a si mesmo diante da nata da direita americana, incluindo o pária Steve Bannon.

“Mourão é um idiota. (…) tem uma mentalidade golpista”.
Olavo a jornalistas, invertendo os papéis. Quem quer mesmo dar golpe em quem?

“Há muitos membros do governo que estão questionando o ‘timing’ do vice-presidente e seus posicionamentos nestes primeiros 100 dias. (…) Isso não significa que exista uma divisão dentro do governo, mas ele (Mourão) se tornou uma voz dissonante e isso é perigoso. Há um nível relevante de frustração pelo fato de ele estar desalinhado com o programa do presidente Bolsonaro”.
Steve Bannon, ex-consultor de Trump, hoje conspirador ao lado de Olavo, referindo-se ao general Mourão.

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Steve Bannon, ex-consultor de Trump, hoje professor de golpismo ao lado de Olavo de Carvalho, posando com Eduardo Bolsonaro, que acha imigrantes ilegais “uma vergonha”;  a nata da direita norte-americana, alguns senis, no jantar com Bolsonaro ao lado de Olavo de Carvalho; Bolsonaro e Moro na visitinha surpresa à CIA, onde foram enquadrados contra a “troika a tirania” e o vice, general Hamilton Mourão, mais isolado do que nunca, que acreditou no mito e pode levar uma bota de capitão na bunda.

Em outubro do ano passado, ao embarcar no Air Force One para deixar o aeroporto internacional de Minneapolis, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, virou piada mundial e meme instantâneo na internet planetária ao subir as escadas com um pedaço de papel higiênico preso no sapato. Algo urgente Trump fez na limousine presidencial. Nesta terça, 19, o lambe-botas de militares Jair Bolsonaro, convertido para o mundo em papel higiênico do solado de Trump, visitará seu ídolo em Washington para o que a mídia chama de “ponto alto” – eu chamaria de zona abissal – de sua rastejante passagem pelos States. A agenda do presidente brasileiro pela DisneyBozo é tão humilhante e constrangedora até agora que não me surpreenderá se Trump pisar de verdade em Bolsonaro e sair arrastando-o. A agenda incluiu uma passagem premeditadamente escondida da imprensa, uma ida de Bolsonaro, Sérgio Moro e Eduardo Bolsonaro à CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos – local onde nem Trump vai. A “agenda privada” incluiu um aperto no Brasil para que se assuma de vez como comprometido, até as últimas consequências, em ações efetivas contra países classificados pelo Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, como a “troika da tirania”, países como Venezuela, Nicarágua, Cuba e Irã. Incluído aí o “uso comercial” – até parece – da Base de Alcântara, o melhor lugar do mundo para lançar foguetes. E misseis. E que, entre China e Estados Unidos, o Brasil esteja do lado dos ianques, não importando sua soberania comercial. Simultaneamente, no âmbito da Organização Mundial de Comércio, os Estados Unidos mostraram que querem acabar com facilidades oferecidas a países que se declaram em desenvolvimento, inclusive o Brasil, em acordos comerciais.

“Países não têm amigos, têm interesses”, costuma lembrar o presidente emérito do Diálogo Interamericano, Peter Hakim, que não é nenhum comunista, e tem até simpatia pelo Brasil de direita, mas que não entende como o Brasil, cuja diplomacia sempre teve entre seus ativos a postura independente em grandes temas da agenda externa, rapidamente, e sem contrapartidas, se converte em soquete de terceira categoria do grande farol do mundo capitalista. Para ele, um alinhamento que pareça “afoito” pode comprometer a capacidade do Brasil em preservar o “arco-íris de coalizões” na arena global, ou seja, sua soberania de negociar com quem lhe traga dividendos. Mas Bolsonaro e o filhote de Olavo de Carvalho que encastelou no Itamaraty, Ernesto Araújo, tratam o Brasil como um gigante – não adormecido, mas com problemas mentais. Diante de uma plateia de fãs e representantes da direita americana em Washington, que terminou, para gozo geral, com a exibição de “Jardim das Aflições” (ria com o trailer ou uma constrangedora entrevista vendendo o ‘produto’),  vida e obra de Olavo de Carvalho, o guru-encosto avisou a Bolsonaro que nada sabe sobre ele, acredita que não tem ideologia definida e, praticamente chamando-o de covarde, afirmou que se o governo continuar como está pode não chegar ao final de 2019. Olavo só não usou a palavra golpe, mas disse que Bolsonaro está cercado por um bando de militares ineptos, que o estão arruinando. Como o general Hamilton Mourão, o vice-presidente, foi eleito como alvo número um de Carvalho, não fica difícil imaginar o que Olavo está propondo, ali, pertinho de sua casa, em Richmond, no estado norte-americano de Virgínia. “Mourão é um idiota”, afirmou Olavo a jornalistas, emendando que o vice-presidente tem “mentalidade golpista”.

Juro que já achei isso, mas, nesse momento, quando vejo Bolsonaro e Olavo reunidos no encontro organizado pelo financista Gerald Brant, um dos primeiros apoiadores de Bolsonaro em Wall Street, com a direita mais odiosa do planeta, incluindo o ex-vice-assistente Sebastian Gorka, Thomas Shannon, que foi embaixador no Brasil e terceiro no Departamento de Estado, e, especialmente, o ex-estrategista de Trump, Steve Bannon – hoje odiado por Trump, que o percebeu a tempo como um traíra -, fica difícil não acreditar que há sim, escancaradamente, um grupo tramando para que Capitão Bolsonaro passe o rodo na generalada. Após se sentar ao lado do presidente brasileiro no tal jantar, que ocorreu, por sinal, na residência oficial do embaixador do Brasil em Washington, Bannon conversou por telefone com a BBC News Brasil e afirmou que há uma “clara preocupação” entre os apoiadores de Bolsonaro sobre a influência do vice no governo. Olavo está inventando a Desquartelada, ou a Olavada. Tomar o poder no voto com os militares e depois espaná-los e abrir espaço para a direita civil.

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O falso guru e o falso mito, lado a lado,  em jantar organizado pela Embaixada do Brasil em Washington e por grupos de direita norte-americanos para tramar.  Olavo, que trocou as camisas xadrez e o chapéu de cowboy por um terno que mais parece um uniforme nazista, voltou a falar mal de Mourão na ausência dele.

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A tal ponto de a interlocutora de Olavo, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) se incomodar com as críticas públicas do “escritor” ao governo. “Olavo sempre foi oposição e não está sabendo lidar agora, na situação. Se ele tem o telefone do Bolsonaro e quer realmente ajudar, poderia fazer uma ligação para aconselhar o presidente”, afirmou Carla ao Estado. “Se fosse guru, falaria no privado, e não de forma a desestabilizar o governo.” A própria deputada foi alvo do escritor, que a chamou de “caipira” e “semianalfabeta” por ter viajado para a China numa comitiva com outros colegas, no início do ano. Carla é próxima de Bolsonaro e costuma frequentar o Palácio do Planalto.

Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro, aproveitou a viagem para humilhar mundialmente os brasileiros que tentam escapar da crise e ganhar a vida, ainda que não tenham conseguindo ainda legalizar sua situação na “terra da esperança”. Ilegais no exterior, são para Eduardo, eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, uma “vergonha nossa”. Na noite de sábado, ao ser perguntado sobre a situação dos brasileiros que entram de forma ilegal nos EUA, o filho do presidente respondeu: “Um brasileiro ilegalmente fora do país é problema do Brasil, isso é vergonha nossa, para a gente. Uma pessoa, um brasileiro que vai para o exterior e comete qualquer tipo de delito, eu me sinto envergonhado”. Eu, pessoalmente, tenho vergonha de Eduardo Bolsonaro. Ah, e o governo brasileiro liberou visto de visita para turistas de Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão que viajarem ao Brasil. Reciprocidade? Imagina, nenhuma.

Um comentário em “Bolsonaro gruda-se aos sapatos de Trump, ouve o guru Olavo dizer-lhe em quem confiar – nunca em Mourão -, e inventam, com Steve Bannon, a Desquartelada. Ou Olavada.

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