Depois de Floriano e Roberto Campos, é a vez de Abraham, o Duchas Corona de Lorenzoni, outro olavista anticomunista, num governo que é um museu de cera derretendo a céu aberto

“Apanhe um sabonete, pegue uma canção e vou cantando sorridente, duchas corona, um banho de alegria num mundo de água quente”.
Música tema do velho refrão das duchas Corona, de 1976

“O socialista é a Aids. O comunista é a doença oportunista. Quando um comunista ou socialista chegar pra você com um papo fronhonhoim, nhemnhemnhem, você pede e manda ele pra aquele lugar. Xingaa!. Fala o que o professor Olavo (de Carvalho) fala, xingaa, xingaa!!”.
Abraham, o novo Ministro da Educação, ou Arthur – os dois olavistas anticomunistas são muito parecidos –, em palestra “Marxismo x Economia”

Quem disse que o que está ruim não pode piorar. Ainda mais no claudicante e absurdo governo Jair Bolsonaro, que ainda não conseguiu fazer a linha direta entre as eleições fraudulentas, abiscoitadas com o uso de um exército de robôs, invisíveis aos olhos do TSE de Fux “Luiz XV”, fazendo o leva e trás de fake news pro whatspp da família brasileira, e a posse em si, a famosa hora da onça beber água. Abertas as urnas, computados os votos, feito o discurso da vitória- com discurso em libras -, depois do Queiroz, da Damares, de Davos, do Muro das Lamentações, do nazismo de esquerda, de Stroessner e Pinochet democratas, de 64 forever, dos pitis de Olavo de Carvalho, de Joice “Peppa Pig” Hasselmann, de Sérgio “Souza Cruz” Moro e de Paulo “Chuchuca” Guedes – ufa – os bolsominios que sobraram perceberam que Bolsonaro não sabe governar. Simples assim, meus Deus acima de todos, Brasil acima de tudo, e Bolsonaro com a cabeça enterrada na terra como um avestruz. Vamos combinar que “eu avisei” é “démodé, a aonda é olhar de soslaio e no máximo um sorrisinho debochado. Pra quem? Não sei, não acho mais bolsominions nas redes sociais e, no mundo real, só contei até hoje três, e dois eram bonecos de posto. Mas pense pelo lado hilário: se a solução para a secretaria-geral da Presidência foi o Floriano Peixoto e para o Banco Central o Roberto Campos, o Neto, porque a surpresa que a troca de Ricardo Vélez Rodríguez, na semana em que o governo Jair Bolsonaro completa seus 100 dias, seja por um Abraham, no caso não o Lincoln, o Weintraub, que era nada menos que secretário-executivo da Casa Civil, sim, o número 2 da pasta de Onyx Lorenzoni. Ele bem que poderia ser chamar Duchas Corona. Até porque chega gelado.

O governo Bolsonaro afinal, é o que, além de uma ducha de água fria, a tal “ducha de alegria” do velho comercial da Corona, de 1976, em meio a um mundo de água quente – que eu, pessoalmente, prefiro. Uma das maiores críticas ao olavista escalado para ser um assecla comportado na Esplanada dos Monastérios, era justamente ser um constante banho de água fria. Todas as suas ideias eram idiotas. E isso em um governo de idiotas. Ou seja, nem para plantonista caolho em terra de cegos servia. Vélez brincou de falar besteira sem nunca ter mandado em nada, sequestrado por sua falta de capacidade de gerenciar o ministério, pasta sobre a qual ele nunca teve total autonomia, dividida entre olavistas e milicos. E pausa para refletirmos no tipo de governo que está aí. Floriano, Roberto Campos, Abraham, aguardam-Tatcher, Reagan e, que sabe, um Adolf. Nesse Museu Madame Tussauds onde todos parecem cópia de alguém, mas a única certeza é que basta um incêndio para todo mundo derreter.

Houve ao menos 14 trocas em cargos importantes na pasta, editais publicados com incongruências, e que depois foram anulados, além de frases polêmicas de Vélez, que levaram a críticas. Em 14 de janeiro, demitiu a presidente do Inep, Maria Inês Fini, nomeada por Temer. Murilo Resende Ferreira foi nomeado diretor de Avaliação de Educação Básica do Inep, e, dois dias depois, Onyx Lorenzoni tornou a nomeação “sem efeito”. Vélez falou em impulsionar o Projero Rondón, talvez ressuscitando Amaral Neto, o Repórter. Claro, em 25 de fevereiro, o MEC enviou cartas às escolas pedindo que as crianças fossem filmadas durante a Educação do Hino Nacional, fechando como slogan de campanha de Bolsonsro. Nos dias seguintes, o ministro desistiu do vídeo patriótico que tornaria nossos filhos pequenos Caixas e nossas escolas, cada vez mais, réplicas de um abrigo militar. Sempre ladeira abaixo, a secretária-executiva do MEC, criou comissão para verificar se as questões do Enem tinha “pertinência com a relidade social”. Dois dias depois pediu as contas. Enfim, o tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira foi nomeado secretário-executivo do MEC em 29 de março.

Bom, se você já andava preocupado com o MEC, com discursos variando entre a militarização e a mercantilização do ensino, saiba que Abraham Weintraub vem do mercado financeiro. Aliás, não só ele, Abraham e o irmão Arthur, unha e carne, ambos discípulos de Olavo de Carvalho assumidérrimos. Abraham Weintraub é formado em ciências econômicas pela Universidade de São Paulo. Apesar de ter sido apresentado como “doutor” pelo presidente Jair Bolsonaro – Bolsonaro deve achar que todo mundo é doutor, menos médico -, ele é mestre em administração na área de finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Na iniciativa privada, trabalhou no Banco Votorantim por 18 anos, onde foi economista-chefe e diretor, e foi sócio na Quest Investimentos. Vídeos de Abraham e Arthur Weintraub, em palestras recentes, já circulam pelas redes sociais, afinal, em tempos de redes sociais, falou, não apagou, o pau cantou.

A passagem do “doutor” de Bolsonaro pela Unifesp foi marcada mais pelas polêmicas que pela produção. Seu currículo na Plataforma Lattes indica a publicação de apenas quatro artigos em veículos de pouca relevância. Mais numerosos são seus conflitos ideológicos. Em duas ocasiões ele processou estudantes por danos morais, perdendo ambas as ações. Entre o que já veio à tona, Heil Weintraub, no ano passado, segundo o blog de Josias de Souza, defendeu que universidades do Nordeste não deveriam ensinar filosofia ou sociologia (Aqui). “Em Israel, o Jair Bolsonaro tem um monte de parcerias para trazer tecnologia aqui para o Brasil. Em vez de as universidades do Nordeste ficarem aí fazendo sociologia, fazendo filosofia no agreste, [devem] fazer agronomia, em parceria com Israel. Acabar com esse ódio de Israel. Israel, nas faculdades federais, é loucura o que você escuta, né?”. Não há dúvida quem sai ministro, entra ministro, o discípulo e as ideias reacionárias são as mesmas. Assista os vídeos: (aqui), onde um deles chama Lula de Sicofanta (mentiroso, caluniador) e aqui  onde o outro compara o socialismo à Aids. É nes-se nível, meu povo. Achava que não pode piorar? Já piorou.

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