Bolsonaro diz que propriedade privada é sagrada e devolve Brasil aos tempos medievais, onde há, de um lado, latifundiários tiranos, e, de outro, servos e invasores

“A propriedade privada é sagrada e ponto final”.
Presidente Jair Bolsonaro, durante discurso na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), quando descartou reforma agrária “com viés ideológico” – ou seja, descartou reforma agrária – e prometeu assegurar aos latifundiários o livre direito de matar para defender seus feudos.

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Em Ribeirão Preto (SP), cercado pela claque ruralista, além de tentar quebrar o Banco do Brasil, “apelando para o coração” do presidente do BB, Rubem Goebbels Novaes, para que reduza os juros para os produtores rurais – isso ao anunciar R$ 1 bilhão para o seguro rural e um adicional de R$ 500 milhões para a linha de financiamento de máquinas agrícolas -, repetindo a lambança que fez com a Petrobras ao inventar um controle dos preços do diesel, Jair Bolsonaro reforçou o catecismo do caráter sacro da propriedade privada em seu governo. Saindo como uma espantalho de dentro de um supertrator, avisou aos ruralistas que já se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o gogoboy do governo no Congresso, para colocar em votação um projeto que permitirá que produtores rurais tenham direito à posse de arma de fogo em “todo o perímetro” da propriedade. O presidente também anunciou na Agrishow que vai enviar ao Congresso Nacional um projeto que prevê o “excludente de ilicitude” para dar “segurança jurídica” a proprietários rurais. Mais ou menos como Moro quer fazer com os policiais que entrarem nos morros atirando a esmo. De acordo com Bolsonaro, donos de terra que ferirem alguém em defesa própria ou da propriedade responderão pelo ato, mas não serão punidos.

“Vai dar o que falar. Mas é a forma que temos de proceder. Para que o outro lado tema vocês, tema o cidadão de bem. E não o contrário”, disse. Em campanha, Bolsonaro tinha como uma de suas bandeiras o endurecimento de políticas contra grupos invasores de terras, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Está claro, agora, que o objetivo de Bolsonaro é exterminar o MST, como, não tenho dúvida, chegará a hora, via Ministérios da Justiça e das Cidades, de criminalizar o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), cujo coordenador, Guilheme Boulos, foi candidato presidencial e é um dos expoentes da nova esquerda. Em sua escalada de criminalização dos movimentos sociais e da esquerda, o novo regime ataca o MST e o MTST, comparando-os a movimentos guerrilheiros e terroristas. Outros que se atreverem a cruzar o seu caminho vão parar na mesma cova rasa.

No campo, se você já achava um desplante que os ruralistas passassem a dar as cartas na política agrícola, que o ministro do Meio Ambiente, o almofadinha e pajé fake Ricardo Salles, desprezasse a figura de Chico Mendes e transformasse seu instituto, o ICMBio, numa tropa de elite, prepare-se agora para tempos de guerra civil no campo. Bolsonaro deixou claro que o poder e a lei estarão do lado de quem tem terra – muita terra. E de que, do outro, aos miseráveis sem-terra e assalariados, restará morrer a bala em massacres e chacinas calculados. Nos últimos meses, Ricardo Salles vem promovendo mudanças nos dois institutos – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)- e considera fundi-los. As mudanças levaram a quatro pedidos de demissão de gestores do ICMBio, entre os quais o então presidente do órgão, Adalberto Eberhard. O Brasil de Bolsonaro, sem reforma agrária e com tiro no lombo dos sem-terra, nos aproxima do modelo da Idade Média, de um arrendamento servil. Dívidas? Resolve-se. A grande propriedade é, na prática, impenhorável e inalienável e os reveses acidentais da família não podem atingi-la. Ninguém pode tomá-la. Nem os bancos, muito menos os sem-terra.

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