São os lavajatistas astronautas?

“Ground control to Major Tom
Ground control to Major Tom
Lock your Soyuz hatch and put your helmet on!”
Letra de Space Oddity, David Bowie

Os lavajatistas tentam reagir ao ocaso de Sergio Moro, o juiz que tramou com o Ministério Público as mudanças políticas ocorridas no país desde a véspera da queda da presidente Dima Rousseff – as delações sob coação e as prisões políticas, a mais notória a que levou Lula ao cárcere e o tirou da direção do Planalto – e à desmoralização da operação fetiche da mídia nacional, mas que manipulou as forças políticas, serviu aos interesses da Casa Grande, e destruiu pelo menos três grandes setores empresariais – construção civil, petrolífero e naval – a troco de “passar o Brasil a limpo”. Não desligaram o Mecanismo, criaram o seu Mecanismo e, como nunca antes na história desse país, encurralaram os três poderes, virando um quarto poder, um poder sem voto, feito de diplomas e más intenções, criando o ambiente propício para nossa distopia real, a República de Gilead, de Moro, de Dallagnol, de Bolsonaro e Mourão, de Olavo, de Ernie, de Weintraub, de Damares. Mas como se vivessem na Lua, os lavajatistas resistem, e não me refiro aos óbvios personagens do certame. O mais corrosivo deles não foi nem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que chamou o caso de “tempestade em copo d’água”, logo ele, do partido nunca antes preso na história desse país, nem o ambicioso e faccioso Luiz Roberto Barroso, o desiderato da Corte, que alertou para uma inventada “euforia” de “corruptos” com o vazamento das conversas indecorosas entre Moro e Dallagnol. Foi o abominável Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, quem, numa atitutude de autodefesa, de preservação da obra da qual agora é cúmplice, afirmou nesta quarta, 12, que a “circunstância conjuntural” não prejudicará o andamento dos processos relacionados à operação.

Que vergonha, Fachin. Se Moro, como disse Elio Gaspari em sua coluna semanal nos jornalões, devia ter um pouco de compostura e pedir demissão, Fachin depois dessa devia pendurar a toga. Nenhum deles o fará, obviamente, são covardes. “Circunstância conjuntural” é o nome pomposo que o bajulado magistrado dá à lama que a essa altura escorre também pelos seus pés, e por todos os que, como Moro, Dallagnol, e boa parte da mídia, com suas milhares de páginas e dezenas de horas de noticiário, fora os livros e biografias bajuladores, fizeram a linha direta entre esses fatos fabricados, ou, no mínimo, combinados e manipulados pelo consórcio Moro-Dallagnol, e o grande público. Mentiras sobre mentiras. Nas páginas dos jornais, nas sentenças, nas prisões, nas delações, nas ilações. Fachin, por sinal, não está nas conversas vazadas, por estar fora dos grupinhos do Telegram, mas é outro que contribuiu decisivamente para que a engrenagem funcionasse. Não atoa, quando as mensagens são reveladas, e seu parça Moro se vê absolutamente desmoralizado – como se já não o fosse por aceitar ser ministro de Bolsonaro, o candidato que venceu a disputa pelo Planalto pela ausência do líder petista que mandou prender e amordaçar – sim, as proibições de entrevistas de Lula mostram-se agora fator preponderante para que os planos dessem certo -, Fachin sai da Batcaverna para defender os seus. Para Fachin, a Lava Jato resultou em um “novo padrão” normativo, jurídico e de natureza ética para o Brasil e para a administração pública. “Tenho confiança plena que isso não é suscetível de qualquer retrocesso”, acrescentou. Cumpre bem seu papel Fachin. É um astronauta perdido em órbita a quem resta contemplar as estrelas.

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