O exército teleguiado de fascistas só tem uma pauta: destruir a democracia para Bolsonaro

A estratégia do governo de atiçar sua manada de debiloides de verde e amarelo, um grupo cada vez mais restrito e constrangedor, mas que se cristalizou num canto obscuro da nossa sociedade, urrando contra as instituições – políticos em geral, Congresso e Judiciário como entes públicos – confirma a intenção golpista do governo Bolsonaro. O que é, no mínimo, surreal, para quem chegou lá pelo voto. Estava lá, pessoalmente, além da prole presidencial, o chefe do GSI, general Augusto Heleno, de boné e camiseta amarela, como descreveram articulistas, assumindo pela primeira vez sua veia palanqueira, com viés belicoso – palavras de Eliane Cantanhêde, no Estado de S.Paulo, vejam só -, empunhando microfone e vociferando contra os “canalhas” e “esquerdopatas”. A presença do militar, uma das figuras mais próximas de Bolsonaro hoje, o homem do murro na mesa, que defendeu “prisão perpétua” para Lula, é, em última instância, a presença do próprio Bolsonaro nos atos. Não há como escapar disso. E a conversão das manifestações antipetistas, hoje em desuso, com Lula preso, em atos contra poderes, confirma a coerência de um governo que nunca acreditou na democracia, mesmo depois de eleito. E que quer destruí-la.

Difícil a essa altura prever os planos e estratégias de Bolsonaro, até por que ele é sim errático e limítrofe, mas não são a favor da democracia. Ele quer mostrar que mantém em rédea curta aqueles 10%, 15% de brasileiros vindos de uma sarjeta ideológica que nem nós sabíamos que existia. Não havia coesão entre os grupos, exceto na alma antidemocrática. Golpistas, anarquistas, monarquistas, taxidermistas, e todo tipo de maniqueístas, estiveram nas ruas para nos lembrar que existe uma gente branca, bem apessoada, bem posicionada, e psicologicamente beirando a insanidade, uma espécie de lado apagado e estúpido de nossa própria elite, disposta a sustentar Bolsonaro e seus planos militares/paramilitares. A defesa de Moro foi apenas a desculpa mais recente para soltar às ruas de algumas dezenas de cidades essa fauna teleguiada que transforma a palavra conservador em algo conservador. A pauta das manifestações, que certamente terá certames regulares, não é defender Moro, ou Onyx, se mandassem – e se o próprio Bolsonaro não quisesse se livrar dele – nem o porte de armas, ou a reforma da previdência, nem se posicionar contra a ideologia de gênero, nem defender a escola sem partido, nem qualquer outra ideia assustadora. A pauta é a defesa do regime de exceção, o governo acima dos poderes, o Planalto acima de tudo e de todos, a “linha direta” com as ruas, ainda que seja uma parte ínfima das ruas. Só estaremos derrotados se nós, a maioria, nos calarmos e deixarmos essa gente lesada assumir a narrativa. Aí, então, Bolsonaro fará o que quiser. Como quiser. A hora que quiser. Só nos restam, igualmente, as ruas. E muita gente enfurecida.

 

 

 

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